Vinhos e literatura: 5 livros que harmonizam estes dois mundos

Vinhos e literatura: 5 livros que harmonizam estes dois mundos

“O vinho tem o poder de encher a alma de toda a verdade, de todo o saber e de toda a filosofia”, disse, certa vez, o escritor renascentista François Rabelais. Quatrocentos anos mais tarde, outro escritor, o escocês Robert Louis Stevenson, autor de clássicos como “O médico e o monstro” e “A ilha do tesouro”, sintetizou este mesmo pensamento em uma colocação que se tornaria famosa: “Um bom vinho é poesia engarrafada”.

Stevenson e Rabelais não foram os únicos escritores a colocarem os vinhos em local de privilégio literário. Da mesma forma como tantas bebidas carregam um quê de personalidade instantaneamente identificável – a elegância do whisky, a festividade da champagne, a tradicionalidade das garrafas de saquê -, os vinhos sempre ocuparam espaço próprio no universo das artes. Na literatura, na música e no cinema, a bebida vem sendo objeto infindável de inspiração e motivando produtos culturais de gêneros diversos. “A bottle of white, a bottle of red, perhaps a bottle of rosé instead?”, cantarolava Billy Joel em seus concertos de rock durante os anos 70.

Aqui nessa lista, vamos deixar de lado, por um momento, os guias didáticos que visam transformar você em um especialista. Afinal, a aparição dos produtos de vinícolas na literatura pode ser bem mais orgânica do que isso. Um diálogo entre amigos, uma passagem romântica ou mesmo um componente de interesse de determinado personagem já pode ser suficiente para colocar o vinho no lugar de protagonista – e conectar você aos aromas de uma boa leitura.

 

  1. Enclausurado, de Ian McEwan

Gosto de compartilhar uma taça com minha mãe. Você talvez nunca tenha experimentado, ou já terá esquecido, um bom Borgonha (o preferido dela) ou um bom Sancerre (também seu preferido) decantado através de uma placenta saudável. Antes mesmo que o vinho chegue — nessa noite um Jean-Max Roger Sancerre —, ao som da rolha ser retirada eu sinto no rosto como a carícia de uma brisa de verão.

 

  1. O alfabeto, de Paul Valéry

Beba com esse peixe o vinho que lhe verto. Não passa de um modesto vinho fresco, jovem, e sem experiência; mas você logo provará um Siracusa que não tem menos de oitenta anos! Está no extremo de suas virtudes. Você notou como os vinhos muito veneráveis têm poder sobre as lembranças? São pessoas velhas e encantadoras cheias de histórias e de sabedoria. Cada gota dessas obras do tempo artista é maravilha complexa: ela desperta nos nossos sentidos todo um sistema de harmônicas.

 

  1. Tirza, de Arnon Grunberg

Abre uma nova garrafa de vinho. Gewürztraminer italiano. Escolheu esse vinho junto com Tirza. Sempre escolhe os vinhos com Tirza. Já há meses, anos. Ela prova e aprova, ele compra.

 

  1. Paris é uma festa, de Ernest Hemingway

Naquela minha temporada europeia, todo o mundo considerava o álcool tão normal e sadio como qualquer bom alimento, além de grande fonte de alegria e bem-estar. Beber vinho, por exemplo, não era forma de esnobismo ou sinal de sofisticação, nem uma espécie de culto. Era tão normal como comer e, para mim, tão necessário. Jamais me ocorrera fazer uma refeição sem tomar vinho, cidra ou cerveja.

 

  1. A irmandade da uva, de John Fante

Estávamos entrando nos vinhedos de Angelo Musso, solo sagrado para meu pai e seus amigos. Durante cinquenta anos eles haviam bebido o genial Chianti e o clarete das videiras dessas colinas rochosas. Não só eram fregueses de Angelo, eram na verdade seus escravos, angustiados quando sua colheita falhava, pois seu vinho era de fato o leite de sua segunda infância, entregue na porta dos fundos do consumidor em garrafões de um galão uma vez por mês, substituindo os cascos vazios que eram levados de volta para a vinícola.

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